Irã acusa EUA de violarem o cessar-fogo; Exército americano diz que respondeu a ataque 'não provocado'

Embarcações no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irã 4 de maio de 2026.
Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA via REUTERS
O Irã acusou nesta quinta-feira (7) os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo ao atacar dois navios no Estreito de Ormuz e atingir áreas civis, informou o comando militar conjunto do país.
"Os EUA atingiram 'um petroleiro iraniano que navegava das águas costeiras do Irã, perto de Jask, em direção ao Estreito de Ormuz, assim como outra embarcação que entrava no Estreito de Ormuz perto do porto emiradense de Fujairah', afirmou um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya em comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana.
“Ao mesmo tempo, com a cooperação de alguns países da região, eles realizaram ataques aéreos contra áreas civis ao longo das costas de Bandar Khamir, Sirik e da ilha de Qeshm”, afirmou.
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Já as Forças Armadas dos EUA afirmaram nesta quinta (7) que interceptaram ataques iranianos "não provocados" e responderam com "ações de autodefesa".
Segundo comunicado, três navios militares da Marinha americana transitavam pelo Estreito de Ormuz em direção ao Golfo de Omã, quando forças iranianas lançaram múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações.
O Exército americano afirma que nenhuma embarcação americana foi atingida e que "eliminou as ameaças" ao atacar instalações militares iranianas, incluindo "locais de lançamento de mísseis e drones e estruturas de inteligência e vigilância".
O comunicado ressalta ainda que os Exército dos EUA não busca uma escalada, mas permanece "posicionado e pronto para proteger as forças americanas".
Já o Comando militar conjunto do Irã afirmou nesta quinta-feira (7) que responderá de forma poderosa e sem a menor hesitação a qualquer ataque.
Ataques acontecem em meio a negociações pelo fim da guerra
EUA e Irã próximos de acordo limitado para interromper a guerra
Os bombardeios ocorreram em meio a negociações frágeis entre EUA e Irã pelo fim da guerra que começou no dia 28 de fevereiro. Atualmente, os EUA aguardam uma resposta do Irã sobre uma proposta americana para encerrar o conflito.
Nesta quarta-feira (6), Trump afirmou que a guerra terminaria se Irã "cumprir o combinado".
O presidente dos EUA afirmou à rede PBS News que um acordo de paz com o Irã, segundo os termos impostos pelos EUA, incluiria o regime iraniano entregando todo seu estoque de urânio enriquecido e se comprometer a não operar suas instalações nucleares subterrâneas.
Apesar dos avanços reportados nesta quarta-feira, o Irã considera que o memorando entregue pelos EUA contém "alguns termos inaceitáveis", segundo a agência estatal Tasnim. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, afirmou que o país está "com o dedo no gatilho".
Essas negociações acontecerem em meio a um cessar-fogo na guerra entre EUA, Israel e Irã, prorrogado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no final de abril. A trégua foi prolongada, segundo Trump, para viabilizar um acordo entre os países.
Desde então, contudo, Irã e EUA têm trocado ataques no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica disputada pelos dois países.





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